quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Por: Leandro de Santana Santos*

A modernidade devora nossos dias, a enxurrada de informações e o crescente volume te tarefas cotidianas me dá à impressão que os dias estão mais curtos.

Já vivemos o que nos anos de 1990 chamava-se de futuro, porém esse futuro não é em nada parecido com o que se imaginava, almejavam-se cidades limpas e desenvolvidas, tecnologias que facilitassem a convivência e a mobilidade. Caricaturava-se até mesmo esse futuro idealizado no seriado de desenhos “Os Jetsons” que viviam em cidades aéreas, tinham empregada e cachorro robôs, carros voadores entre outras inovações. Mas, como já cantava Renato Russo na sua bela canção Índios que embalou minha adolescência “O futuro não é mais como era antigamente”. Hoje o que percebo beira o caos, cidades mal planejadas, super populações, poluição, transito caótico, cada um por si e todos por ninguém, disputando um lugar ao sol, não temos amigos, temos concorrentes, vivendo em um mundo de aparências onde o que realmente importa é o ter e não o ser, esse é o nosso admirável mundo novo.

Nesse contexto a memória nostálgica é um bálsamo que nos mergulha em temporalidades perdidas pelo tempo linear da modernidade, como elemento regenerador de identidades. É interessante notar o efeito do exercício do lembrar, remeter-se ao passado e por alguns segundos sentir-se de volta a velha casa, ao conviveu de velhos amigos e até mesmo sentir cheiros de antigamente como o perfume daquela garota que nos marcou.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


POR José Uesele O. Nascimento

O Grupo Cultural "Tecendo a Manhã" foi fundado em meados de 2005 por Fábio de Oliveira, que, na ocasião, recebeu o apoio de César de Oliveira e Uesele Nascimento (ainda hoje integrantes do grupo). Inicialmente, a ideia era apenas reunir pessoas que comungassem do gosto pela poesia e realizar saraus literários na sua pacata cidade de origem, Lagarto. O primeiro deles aconteceu no dia 03 de setembro de 2005 e teve como foco a obra de João Cabral de Melo Neto, autor do poema "Tecendo a manhã", que dá nome ao grupo. Sucederam a esse outros tantos saraus, a exemplo dos que trabalharam a poesia de Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa e Florbela Espanca, sempre primando pela poesia e pelas apresentações musicais que desfechavam os eventos.

Ao longo do tempo, sentiu-se a necessidade de expandir a ideia e as atividades artísticas. Depois de um período de latência, veio a primeira peça encenada pelo grupo: O Oratório de Santa Maria Egipcíaca, que ficou em cartaz em 2008 e cujo texto é da poetisa Cecília Meireles. O grupo agora tinha uma formação mais fixa do que na época dos saraus, fator determinante para a consolidação desse e dos trabalhos que estariam por vir.

POR José Uesele O. Nascimento


Foi fundado em 2003 por jovens da comunidade do Alto da Boa Vista - Lagarto/Se, o grupo surgiu de uma ideia despretensiosa de evangelizar através da arte em eventos de cunho religioso, com o tempo a ‘brincadeira’ ganha força e feições de coisa séria, e logo aqueles jovens amigos que cresceram juntos estariam representando Lagarto em outras cidades de Sergipe.

O trabalho é desenvolvido com jovens da comunidade com intuito de tirá-los da ociosidade através da vivência comunitária despertando, assim, o sentido de pertencimento e a valorização da cultura local fazendo com que assumam sua identidade cultural.
sábado, 20 de julho de 2013

Grafite: arte ou vandalismo? Beleza ou poluição visual? Esse debate se tornou uma constante na sociedade para definir uma manifestação exposta em muros, prédios e fachadas, sejam públicos ou particulares. Longe de se encontrar uma unanimidade sobre o referido tema, façamos apenas um apanhado ao nosso entorno, para que possamos tirar nossas próprias conclusões.

Por mais despercebido que seja, qual cidadão residente ou apenas que passe costumeiramente pelas ruas da grande Lagarto que já não tenha se deparado com alguns grafites em diversas localidades? Existe um bom número de jovens que se aventuram nesta seara, colorindo e dando novos tons em foscos ambientes.

Um desses jovens atende pelo nome artístico de: Araujo Grafite. De infância humilde, nasceu no pacato povoado Queiroz, e desde cedo sentiu na pele uma educação familiar pautada no que poderíamos chamar de exílio domiciliar, e assim, até sua adolescência, esteve atrofiado aos cômodos de sua residência.

sábado, 6 de julho de 2013
De alpercatas e gibão, a quadrilha lagartense mantém acesa a chama de uma tradição que encanta gerações.


O mês de junho guarda em sua essência raízes de um povo que soube como poucos agregar valores regionais a uma cultura originalmente religiosa. Dentre tantas representatividades dos festejos juninos, uma em particular nos chama atenção: a quadrilha, dança de origem francesa trazida para o Brasil pelos portugueses no período da colonização. Porém, ganhando novos traços tipicamente nordestinos, hoje a dança que em outrora deslumbrava os salões da corte portuguesa encanta e enche de alegria as salas de rebolco do nordeste brasileiro.

Se o tocante é quadrilha junina, a cidade de Lagarto não deixa a desejar, pois foram muitas quadrilhas que no percurso de uma história não muito distante, deixaram suas marcas em um terreno nada fácil de prosseguir e de marcar trajetórias de conquistas. “Na minha quadrilha só tem gente que brilha, só tem gente que brilha na minha quadrilha...”, já cantava Alcymar Monteiro. E assim, com muito brilho, esforço e união, foi que nos torrões do povoado Coqueiro de Cima, há exatos 21 anos, nascia uma das mais belas e tradicionais quadrilhas do agreste sergipano.