domingo, 10 de novembro de 2013
Por José Uesele Oliveira Nascimento

A sociedade moderna foi aprisionada pelo tempo. E até hoje sofremos as agruras desse acontecimento, pois o relógio, responsável direto pela materialização do tempo nos escravizou por meio da alienação cotidiana.

 Na Pré-história, a natureza controlava as ações humanas, o homem primitivo era um ser dependente dela, o dia claro era destinado a caça de animais e coleta de frutos silvestres e a noite a caverna era o seu refúgio do mundo exterior - o tempo era natural. E foi da observação do movimento dos corpos celestes, que nasce a noção de “tempo mecânico”.

Sem dúvida, o que distanciou a sociedade ocidental (com seu ritmo frenético) da sociedade oriental (em meio a sua passividade temporal), ao longo da história foram suas concepções particulares de entender o tempo e de se comunicar com espaço social visível.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Quando surgem os primeiros raios de sol na movimentada Lagarto, seus moradores cumprem um ritual. Entre bocejos, ainda em suas camas, ou ao pé do fogão ligam os seus rádios, uns à pilha, outros com maior sofisticação. Ao som da viola, canções sertanejas ou aos cochichos, modas e fofocas do cotidiano lagartense. Esporte, novelas, a casa que foi roubada, a briga de casal que acordou a vizinhança, o carro fumacê, os fogos de artifício ao romper da madrugada. Tudo em um curto espaço de tempo, do entardecer ao amanhecer do dia seguinte. Às 6 da manhã já é hora dos programas jornalísticos, a agitação política está em primeiro lugar. É um puxa daqui, puxa dali, informações opostas e um dilema: acreditar em quem?  Os ouvintes vão aceitando as que mais lhes convém.
domingo, 27 de outubro de 2013
Por: José Uesele e Renato Araújo
“Rádio, Universidade e Sergipanidade” assim foi intitulado um projeto do departamento de história da UFS, que ganhou corpo e alma através do programa RELICÁRIO CULTURAL que foi levado ao ar em 125 programas pela juventude FM nas manhãs de sábado em Lagarto. No intuito de dar voz e oportunidade aos artistas locais sejam eles conhecidos ou anônimos do cotidiano lagartense. Cantores, poetas, escritores, repentistas, pessoas que de diferentes formas definem um jeito particular de ser sergipano, desfilando seus talentos e nos enchendo de orgulho ao enaltecer nossa identidade e reforçando nosso bairrismo característico, traduzidos pelos sentimentos de sergipanidade e lagartinidade tão ao gosto daqueles que amam e valorizam seu torrão comum.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Da esquerda para a direita, Sandra, Solange, Celso e Marcele

Nos últimos anos, a legislação do país vem buscando oferecer meios para que pessoas com algum tipo de deficiência possam estar incluídas em todas as esferas da sociedade. Assim, a educação também passou de certa forma por grandes mudanças, uma delas diz respeito ao ensino de Libras nas escolas para que pessoas com surdez possam acompanhar o desenrolar das aulas. No entanto, os profissionais da educação em sua maioria não têm o domínio, ou às vezes nenhum conhecimento sobre a língua de sinais, o que possibilita um constrangimento tanto para o aluno, como para o professor.

Pensando nessa e em outras possibilidades, foi que se tornou obrigatório o ensino de LIBRAS nos currículos dos cursos de Pedagogia e de licenciaturas nas universidades, a fim de preparar os futuros professores a lidarem com a situação em sala de aula. Foi nessa realidade que me matriculei na disciplina agora obrigatória para o curso de história. Com muita dificuldade fui aprendendo alguns sinais e enxergando o mundo com outras lentes. Através de uma proposta ousada da professora Larissa Rebouças, que desafiou seus alunos a levarem um vídeo com pessoas surdas para sala de aula, fui instigado a conhecer a realidade mais de perto de jovens da comunidade onde moro, assim, convidei alguns estudantes da UFS para minha querida cidade, e fomos conhecer uma exemplar história, que além de surpreendente, foi a confirmação que estávamos diante de uma família onde a superação é a palavra de ordem.
domingo, 6 de outubro de 2013
Inúmeros são os estudos voltados para área política da história do Brasil, muitos foram e são os pesquisadores que voltaram seus olhares para o fenômeno que ficou conhecido como coronelismo, muitos esclarecimentos foram alcançados, porém, muitas controvérsias e brechas surgiram para novos entusiastas que desejarem se aventurar neste campo heterogêneo e prazeroso da historiografia nacional.
Em um período de grandes mudanças na sociedade, no final do século XIX, onde emergia um momento de preparação de um pensamento independente, simbolizado com a emancipação política. Eclodiam algumas necessidades primordiais, inclusive na política, onde o foco de debates remontava ao federalismo, a República e a organização municipal. Ou seja, o coronelismo emergiu sua estrutura em um espaço em que a sociedade brasileira estava imersa em uma importante transição.
É nesse cenário que tem início o coronelismo, apresentando-se inteiramente como um fenômeno tipicamente republicano datado do final do século XIX e início do século XX, porém suas origens antecedem esse período. Segundo Janotti: “Entretanto, as raízes do coronelismo já estavam sedimentadas no império e, com a república, o coronel apenas amplia o seu papel dentro da nova estrutura política (1981, p.8)”. Mesmo a autora tendo o Império como respaldo inicial do processo, é importante salientar que essa modificação vigente da época já remontava a uma típica herança colonial.