segunda-feira, 4 de janeiro de 2016


“Sou tricolor de coração, sou do Clube tantas vezes campeão...”, assim tem início um dos mais belos hinos do futebol brasileiro de autoria de Lamartine Babo. Foi esse estandarte da música brasileira, unida a história de glórias, que fez do Fluminense carioca uma das mais tradicionais equipes do país. Suas conquistas e seus dramas fizeram de seus apaixonados torcedores, verdadeiros guardiões do manto Tricolor com pó de arroz. Contagiados e envolvidos nessa magia, foi que dois jovens no Povoado Horta, resolveram fundar uma equipe, a qual o nome homenagearia o primo rico das laranjeiras.

É bem verdade, que inicialmente o nome poderia ser outro. Hélio Amorim e Zé Raimundo conhecido por Batatinha, torcedores do Botafogo e Fluminense respectivamente, ficaram em um dilema: como chamar o time a ser fundado? Como em Lagarto já existia um Botafogo, o de Hermógenes Andrade, em consenso e anestesiados pela aurora tricolor, resolveram fundar e nomear a equipe em novembro de 1980, de Fluminense, e assim, rememorar o clássico vovô do Rio de Janeiro em terras lagartenses.

Os desbravadores da equipe, Hélio e Zé Raimundo, uniram-se com o mesmo ideal, e juntos deram o pontapé inicial para uma história de façanhas e títulos. Porém, essa parceria duraria apenas três anos, Zé Raimundo precisou deixar o comando da equipe. A partir de então, Hélio da Horta, como é conhecido, seria o responsável para manutenção da recém fundada agremiação.

Com muita dedicação, empenho e ousadia, o Fluminense começava a ganhar espaço no cenário futebolístico municipal. Obviamente que para sustentar uma equipe em campeonatos sem retornos financeiros, se fez necessário, colaboradores. Hélio enfatiza com muita gratidão a importância das pessoas e empresas que contribuíam para essa empreitada, a exemplo da Farmácia J. Menezes, Cred Móveis dentre outras.

No início a maior dificuldade foi encontrar um lugar propício para a prática do esporte, nessa trajetória alguns locais receberam a equipe tricolor, haja vista, a Horta não possuir uma praça de esportes. Assim, o primeiro campo a ser utilizado foi o do povoado Saco. Posteriormente, a equipe mandou seus jogos em uma região denominada: Carro Quebrado. A terceira localidade a receber o Fluminense foi o campo do senhor conhecido por Zé Pelonha do Limoeiro, por um período de um ano. Atualmente a equipe manda seus jogos na Moita Redonda, uma área com dimensões e com condições favoráveis para prática esportiva.

Ao longo de três décadas de atividade, muitos foram os atletas que desfilaram seus talentos por essas plagas. Alguns são inesquecíveis, sejam pelos momentos de glória (títulos) ou por terem se tornado profissional como a estrela internacional, Diego Costa. Seria impossível discorrer sobre a história do fluminense, sem mencionar atletas que em outrora brilharam e que ainda são mencionados em bate papos na comunidade.

Seu Hélio não esconde em seu semblante nostálgico a felicidade ao lembrar daqueles que irradiaram fascinantes participações com as cores do tricolor, lembrar de Marquinhos, que posteriormente se tornaria campeão sergipano pelo A. C. Lagartense. O mudo, Valteon, Edson Ferreira, Zeinha, Déu, Gilson Araújo,  Dr. Deijaniro Jonas, Dodó, Bebeto, Jorge Alberto, Kekel, Rangel, Washington que ainda chegou a jogar na China, Carlinhos e seu envolvimento dentro e fora dos gramados, Belém que garantia a segurança debaixo das traves, ficando na equipe por quase Cinco anos. Esses foram apenas alguns de um seleto grupo que vestiu e honrou as cores não apenas da equipe, mas, da comunidade.


Sob o comando técnico e administrativo de Hélio Amorim, o fluminense começou a ser respeitado e temido por seus adversários, sua participação nos campeonatos amadores da cidade teve início oficialmente em 1987. No entanto, a experiência e a paciência seriam as principais virtudes para uma equipe que desejava está entre as notáveis da época, como o Palmeiras da Cidade Nova, Noroeste, Internacional, CSU, Argentina entre outras.



O amadurecimento foi vital para que as vitórias cotidianas se transformassem em títulos. O primeiro deles surgiu em 1989, no Campeonato Sargento Andrade, competição que contou com a participação de seis equipes. Em 1991 o vice-campeonato coroava a sua participação em um torneio idealizado pela Rádio Progresso. Em 1994, o título veio em um certame de quarentões realizado na Colônia 13.

Em meio a essas façanhas a sede desenfreada aflorava ano a ano pela conquista do Campeonato Amador. Após longos anos de domínio de Noroeste e Palmeiras, era necessário que alguém, ou melhor, que um time tomasse as rédeas e se colocasse a altura dos adversários.

Os torcedores da Horta já haviam esperado demais, com um elenco repleto de craques e uma temporada inesquecível para Valteon, Tia e Robertinho, o Fluminense deslanchou na competição chegando a grande decisão com o Guadalarrara, no Estádio Paulo Barreto de Menezes. Com dois gols de Valteon escolhido melhor jogador da partida e um de Almir, o Tricolor da Horta venceu seu adversário por 3 x 2 e sagrou-se pela primeira vez, campeão amador em 1995.

Após o título, a certeza que o Fluminense já fazia parte dos melhores times da cidade, mantendo sempre um time com um alto nível, o bicampeonato não demorou a ser comemorado. Em 1998, os representantes da Horta chegavam a mais uma decisão. Desta feita o palco era o Chiquitão, o adversário a forte equipe do Barcelona. Com um gol assinalado por Naldinho, o troféu chegava mais uma vez para as mãos de Hélio e seus comandados.

É importante salientar que nesse ano, o Fluminense fez cabelo e barba, ou seja, venceu na categoria principal 1º Quadro (1ª divisão) e no 2º Quadro (2ª divisão). A segunda divisão do time da Horta também fez história, sendo campeão em anos vindouros.

Se nessa horta tudo parecia germinar com facilidade, no final de 2003 um silêncio acompanhado de tristeza rompia a comunidade. O então presidente, técnico e um dos maiores baluartes da equipe, o senhor Hélio, esse precisava abandonar a direção da equipe por motivos profissionais. A névoa do esquecimento perdurou sobre a agremiação. Sem o líder a equipe não poderia seguir em frente, era chegada hora do desfecho de uma fascinante história, os títulos, as conquistas, as vitórias seriam apenas lembradas em memórias, imagens e recortes de jornais.

Após 7 longos e duradouros anos de abandono e exílio, dois jovens: Magno Santana e Fabiano, ávidos por descobertas e desafios, atendendo pedidos, se sentiram entusiasmados para trazer de volta o sorriso de uma juventude sedenta pelo retorno do Fluminense, o tradicional tricolor do Bairro Horta.



Em 2010, o “Fluzão” retornou aos gramados e com ele o bom futebol nas tardes de domingo. Para os saudosos, a alegria em ver uma tradicional equipe de volta, para os jovens a certeza que a comunidade continuará com seu representante vivo e forte. Para contemplar esse retorno, o ex-presidente Hélio, marca novamente presença com sua experiência e seu amor por essa prática esportiva. Coroando o retorno da equipe aos gramados lagartenses, o Bairro Horta em 2012 comemorou o título da 2ª divisão, provando que nessa seara o Fluminense precisa ser sempre respeitado.

Seguindo os resquícios das equipes que em outrora marcaram de maneira positiva a região, o tricolor se mantém entre os mais competitivos da cidade, em 2013 chegaram a decisão de mais um campeonato amador, porém, o sonho de levar o Tricampeonato da 1º divisão, não foi alcançado ao serem derrotados pelo Cruzeiro da Matinha. A derrota não abalou os ânimos dos atletas, pelo contrário serviu como aprendizado para as novas temporadas.



Com muita luta e objetividade os representantes da Horta começaram a trilhar uma nova caminhada. Os primeiros passos foram vivenciados com alegria ao conquistarem no ano passado, 2015, a Copa da Independência, competição organizada pelo Vereador Valmir de Carminho. Agora é preciso focar no próximo objetivo: a conquista do certame 2015/2016 do tradicional Campeonato Amador de Lagarto.

Apesar da decadência do amadorismo nos últimos anos, é satisfatório encontrar no seio da comunidade, senhoras, a exemplo de Dona Joana que aos 91 anos, ainda veste a camisa do clube e demonstra em um resgate de memória momentos marcantes de partidas e viagens da equipe pelos povoados e para outras cidades. Dona Joana é proprietária de um ambiente comercial, espaço que foi ao longo dos anos utilizado para as festas e ponto de encontro de torcedores e atletas ao fim de cada partida. Seu jeito simples encanta a todos e nos passam um recado mesmo que no silêncio: “O Fluminense faz parte de minha história”. Seu exemplo é norteador para uma juventude que se afasta das práticas esportivas.


Atualmente, o Fluminense se mantém vivo na disputa pelo título em busca do tão sonhado e almejado tricampeonato. Seria um presente em tanto dos atletas para o seu agora presidente de Honra, Hélio Amorim, para os moradores do bairro, em especial para Dona Joana e para todos aqueles que acreditam no futebol de várzea como interação entre as comunidades e resistência aos problemas sociais. Se depender do entusiasmo, da responsabilidade e do comprometimento do atual presidente e técnico Magno Santana, as cores do tricolor irão novamente triunfar no ponto mais alto do amadorismo lagartense.


2 comentários:

Ze Carlos Carlos disse...

Parabéns ao fluminense da horta e todas diretorias que por ai passaram e só enriqueceram a história do clube. E que vocês continuem assim essa diretoria honrada e educada com todos, que só tem a engrandecer o fluminense.

Carlos Eduardo disse...

Parabéns a este grande clube, por esta brilhante história! É um celeiro de grandes jogadores, fico feliz por saber que este clube só tem a crescer.

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Renato Araujo Chagas, graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe.

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