quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Em pé: Cristovão, Valtão, Juarez, Alfredo, Bereu, Valmer, Saruê, Alexandre, Luciano, a saber, Zé de Chiquita. Agachados: Val, Josué, Aloísio, Papinho, Toninho Dumas, Tonho de Bazinho, Gerson, Zé Perninha, Pedro da Farmácia e Marco Polo.
Imagem: Josué da Conserv

Internacional o primeiro campeão lagartense

Parafraseando Nelson Rodrigues, eu diria que “Lagarto é uma cidade de chuteiras”. Não há exagero nenhum em mencionar o nosso futebol amador como marca de uma geração e identidade de um povo.

Pelos idos de 1967 um time do Rio Grande do Sul, enchia os olhos dos brasileiros acostumados com os times do eixo Rio-São Paulo, era o Internacional que em sua primeira participação em uma competição nacional sagrava-se vice-campeão. Coincidência ou não, neste mesmo período nascia em Lagarto uma agremiação que carregava o mesmo nome do primo rico do sul do país. Um colorado que por mais de 30 anos desfilou nos gramados regionais um futebol de alto nível.



Zé de Chiquito.
Seu início foi através de peladas realizadas na Rua de Simão Dias, na organização estavam: Zé Gordinho, Marco Polo e Celminho de Chiquito. Por alguns empecilhos ocorridos, o time foi entregue ao desportista Zé de Chiquito, um homem que ao longo de sua vida o futebol teve marcante e decisiva influência. Sua participação no amadorismo lagartense, começa ainda cedo como atleta no Agulha Negra, time que tinha como diretor Dedé da padaria, sua segunda equipe foi o Confiança. Porém, ao fim de um treino após sofrer uma contusão foi necessário abandonar os gramados, mas seu amor pelo esporte o fez se tornar dirigente e técnico do Internacional.

Quando o Internacional despontou nesta seara, os treinos, amistosos e partidas oficiais, eram realizados no estádio Rozendo Ribeiro Filho, no entanto, como a equipe do Lagarto Esporte Clube, comandada à época pelo saudoso alagoano Arnóbio Silva precisava realizar suas atividades no mesmo local. O espaço em questão não mais comportava de maneira amistosa a presença de outras equipes, a não ser a do time profissional da cidade.

A equipe colorada precisou mudar de palco, desta feita foi para o campo conhecido por “Mangueirão”, localizado nos fundos de onde hoje é o bar de Totoca na Rua Tobias Barreto, por lá foram dois anos de atividades. Como o ambiente foi transformado em loteamento, mais uma vez era preciso se mudar, desta feita alugou-se um sítio nas intermediações da rua de Simão Dias, local onde foi construído o novo campo do Inter, conhecido como “Poeirão”, segundo relatos de torcedores: “no Poeirão o Inter era imbatível”.

Em pé: Manoel, Laufran, Deca, Tonho de Chiquito, Guedes, Messias, Luciano, Zezinho e Dida chapista. Agachados: Zé de Chiquito, José de Messias, Canhota, Elsinho, Nenhem, Ito, Alexandre e Agamenon. Prof. Rusel Barroso (criança).
Imagem: Zé de Chiquito

Mas, num time repleto de atletas renomados para o momento, era preciso um espaço com maior conforto e com a cara de um grande time. Assim, na década de 80, dois amigos muito conhecidos na cidade por Tonho de Bazinho e Marco Polo, compraram uma excelente área de terra para enfim, se tornar o caldeirão, que levou o nome de “O CHIQUITÃO” localizado na Rua Gustavo Hora.

Ao longo da história, o internacional lagartense ganhou respeito e notoriedade por vários motivos, mas a principal característica da equipe foi está sempre pautada em ser um seleiro de atletas da casa, enquanto outras agremiações buscavam jogadores de cidades vizinhas, o time de Zé de Chiquito se fortalecia e valorizava atletas papa-jacas. Não demorou muito para que os colorados tomassem conta dos campeonatos que surgiam na cidade, na década de 70 até meados de 80, quem dava as cartas e ditava o ritmo era o Internacional.

O primeiro fardamento é lembrado por Zé de Chiquito com um sorriso no rosto: “uma camisa branca com listas em vertical pretas”, doação do deputado Passos Porto. Após esse momento as aquisições de materiais esportivos, como outras despesas ficavam na maioria das vezes por conta de Tonho de Bazinho, o patrono e um dos maiores colaboradores da equipe, porém, houve outros entusiastas, dentre os quais merecem destaque Josué da Conserve, sempre presente e antenado com o grupo, outros atletas também colaboravam nas comemorações.

Em pé: Zé de Chiquito, Edinho, Lua, Borrachinha, Zé de Cândido, Gadinho, Luciano, Hélio e Emerson Carvalho. Agachados: Valtão, Fozinho, Nenê, Canhota, Nenhem, Tavares, Bazinho e Rivaldo.
Imagem: Hélio de Zé Vieira.

No comando da equipe alguns presidentes foram de grande importância: Edson e Dida Pintor merecem ser lembrados. Nos gramados um elenco que causava silêncio e lembranças por todos aqueles que recordam das proezas realizadas. Como não lembrar de nomes como: Messias, Laufran e Tatica (em saudosa memória), Cigano e Miro. Atletas que deixaram a equipe para se tornarem profissionais do LEC (Lagarto Esporte Clube). Com a saída deles o sentimento que tudo poderia acabar perpassou por cima do Chiquitão, mas, foi apenas um susto, pois, a base estava montada e a supremacia deste time continuaria intacta.

Permaneciam no grupo outros bons e conhecidos jogadores, à exemplo de:    Lua, Luciano, Tavares, Nenhem, Rivaldo, Gerson, os irmãos Alexandre e Canhota. Ou seja, um elenco de estrelas, entre eles dois são as marcas de que o tempo não pode apagar a paixão pelo clube, é o caso de Hélio de Zé Vieira, defendeu as cores vermelha e branca por mais de 20 anos, somando-se a seu irmão Aloísio, que também fez uma longa trajetória.

Um passado que é redescoberto a cada contato com os integrantes dessa constelação. É assim que podemos definir os diálogos que tivemos com pessoas simples, mas que foram protagonistas dessa história.

Em pé: Josué, Bereu, Luciano, Valmer, Juarez, Gaúcho, Toinho. Agachados: Valtão, Gadinho, Aloísio, Toninho Dumas, Gerson e Tonho de Bazinho.
Imagem: Josué da Conserv   

Em todo time existe aquele que não aparece nas fotos, não é lembrado em entrevistas, não é mencionado em comentários, eles são o que chamamos de carregadores de piano, mas, sem a dedicação dos mesmos certamente o espetáculo não teria o mesmo brilho. Logo, se faz necessário lembrar neste texto, de José Eugênio, ou como é conhecido Zé Perninha, filho de Ribeira do Pombal, chegou em Lagarto ainda criança para morar no povoado Oiteiros com os avós, sendo trazido posteriormente para o Santo Antônio. Sua vida se confunde com a construção do campo, local que merece seu zelo a 30 anos, foi ele quem cuidou do gramado para que os jogos fossem realizados, fez papel de massagista, roupeiro, e tantas outras atribuições. Ainda hoje se emociona ao lembrar de uma de suas grandes paixões, o internacional.

Campeão de 1986.
Em pé: Juarez, Alfredão, Gaúcho, Toinho, Valmer e Luizão. Agachados: Josué, Tonho de Bazinho, Elsinho, Gerson e Gadinho.
Imagem: Josué da Conserv

Os títulos foram uma constante para esse grupo, mas, a maior conquista foi alcançada em 1986, ano da fundação da Liga de Futebol Amador, quando a competição foi organizada oficialmente pela maior entidade do esporte em Lagarto. Seria a chance dos colorados mostrarem que seriam capazes de conquistar essa façanha. E não deu outra, chegaram a grande decisão duas incríveis equipes, de um lado, o poderoso Palmeiras da Cidade Nova. Do outro, o Internacional. Um partida esperada com muita expectativa pelos amantes do amadorismo. O palco era o Estádio Paulo Barreto de Menezes, Quem seria o primeiro campeão lagartense? Tudo se definiu quando Elsinho aproveitando um desvio na pequena área, entrou com velocidade balançando as redes palmeirenses, e estremecendo as arquibancadas do Barretão. Era o gol da vitória, o gol do título. Internacional o primeiro campeão amador de Lagarto.

Os anos se passaram, as gerações que defenderam com fervor apaixonante as cores da equipe começaram a abandonar o futebol. O Inter aos poucos foi deixando o cenário esportivo, mas, as lembranças ainda continuam vivas e presentes na memória dos que viveram aquele passado glorioso. Caberá às novas gerações não deixarem que essa história seja esquecida, esses heróis de chuteiras nos permitiram celebrar a festa do futebol e sem dúvida foram os verdadeiros propagadores da nossa paixão pelo esporte.

Elenco do Internacional Campeão de 1986.
Imagem: Josué da Conserv.

4 comentários:

Moacir Poconé disse...

Maravilha de relato, trazendo para o conhecimento das novas gerações histórias desse que é o mais apaixonante dos esportes. O texto está excelente, mesclando aspectos históricos e quase que uma narração. E as fotos, então, verdadeiras relíquias. Parabéns ao prof. Renato Araújo pelo inestimável trabalho realizado.

Anônimo disse...

ESTA FOTOS E UMA BOA LEMBRANCA , EU CONHECO QUASE TODOS, E JA JOQUEI COM VARIOS DELES , UMA BOA EPOCA E BOM JOGADORES,,
EU SOU EDSON DIAS EX JOGADOR PROFISSIONAL, E ERA CONHECIDO AI EM LAGARTO POR BEDEU,,

UM ABRACO A TODOS VCS

Pedro Manoel disse...

São raras as minhas fotos de infância, e ao ler essa matéria tão bem redigida eis que encontro minha melhor foto de infância, que alegria rever essa foto, minha aparência de quando eu tinha uns 10 ou 11 anos de idade, com traje da época, uma calça tergal marrom e uma lina camisa de botões, acho que era o ano de 1985 ou 1986.Estou muito feliz em resgatar essa foto, muito obrigado Josué por guardar em seus arquivos momentos como esses que estamos relembrando ao ver essas fotos. Pedro Monoel

Anônimo disse...

sou raimundo silva primo de sergio silva preparador fisico moro em santos ha mais de vinte anos quero parabenizar o autor dessa materia sobre o futebol amador da minha lagarto especialmente o inter de ze de chiquito joguei contra eles e assistir muitos jogos era uma epoca fantastica em lagarto to muito feliz em rever varios craques amadores que tinham perfil profissional espero que publiquem mais materias dos nossos times amadores tal como o confianca e o botafogo um abraco a todos e muita saudades.