quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Por: Thaiane Santana*

Quando éramos crianças e não sabíamos colorir, não importávamos com as cores dos desenhos. Não importávamos com as cores das peles dos bonecos; havia tantas cores, por que não usar? Era tão fácil: só pegar o giz de cera e colorir como quiséssemos, sem padrões para seguir.

Quando crescemos um pouco mais, passamos a colorir de acordo com o que nos ensinam e com o que vemos. Assim, nossos bonecos antigamente verdes, viram loiros, rosados e com olhos azuis.

Além disso, quando estamos mais velhos e temos consciência de nossas ações, nossos desenhos tomam formas e cores como as de quem as pintam. Passamos a ter uma base, um modelo fixo e qualquer alteração é totalmente rejeitada.

Agora, observe esta linha do tempo. Parece que regredimos. Certo? O que acontecera com aquelas crianças que não se importavam com as cores de lápis, roupas ou pessoas? Quando foi que nos cegaram a verdade e implantaram em nossas cabeças que pessoas que possuem uma cor, raça ou etnia são melhores que as pessoas que não possuem as mesmas? Por que achar que pessoas brancas são melhores que negras ou vice-versa, quando ambas pensam, falam e sonham iguais? Por que achar que uma pessoa é superior à outra por causa da cor de sua pele? Por que achar que cor de pele importa ou influencia em algo?

Alguns gestos raciais se tornaram tão cotidianos que não conseguimos questionar a razão. Afinal, por que ter um dia da consciência negra e não ter da consciência parda, indígena ou branca? Qual a razão de existir um sistema de cotas para concursos que inclui brancos no grupo “A” e negros juntamente com indígenas no grupo “B”? Estão insinuando que negros e indígenas não são bons o suficiente para competir com os brancos? Já repararam que o presidente da maior potência mundial é negro? Já viram nossa história e como ela é marcada por pessoas de várias cores se relacionando? Já percebeu que eu, você, nós viemos dos mesmos antepassados e que muitos deles eram negros? Então, por que aquela pessoa é melhor que a outra só porque a mesma tem a pele mais escura sendo que as duas vieram do mesmo povo e são descendentes da mesma história?

Então, pare de olhar as pessoas focando na cor de suas peles e comecem a focar nas verdadeiras cores delas, as cores que vêm de dentro e que escorrem pela boca, contaminando todo o ambiente. As cores que fazem a pessoa ser quem ela é. As cores que são mais que as que estão na pele ou nos olhos e cabelos. As cores que quebram toda aquela barreira de diferença que separam as pessoas por suas características, que vão além de nacionalidade, cor, idioma, costumes ou religião. As cores da alma.

Se há um futuro que inclua todas as pessoas vivendo em paz, sem se preocupar com valores superficiais como etnia, nós o queremos agora! E isso inclui indígenas, brancos, negros, pardos, amarelos e azuis.

Thaiane Santana Santos, é aluna do 9º Ano do Colégio Nossa Senhora da Piedade.

2 comentários:

Anônimo disse...

Arrasou prima ameei!! isso mesmo para que diferenciar com a ideia de sistema de cotas? os fazendo ficar constrangidos e sentirem-se inferiores aos brancos? todos são iguais e merecem o mesmo respeito!

flavio pinto disse...

Parabéns tontón por ser tão nova por se expressar e saber com palavras belas, maravilhosas, coloridas e diretamente falar expor o que certos adultos idiotas não querem ver, aceitar que somos todos iguais e continue sendo esta menina maravilhosa que enche de orgulho não somente seus pais mas também toda a nossa familia