domingo, 15 de novembro de 2015



Se um dia a história do futebol em Lagarto ganhar as páginas de um livro, certamente um capítulo da obra deverá ser dedicado a Marco Polo do Nascimento.

Após um ano de esquecimento, as emoções do Campeonato Amador de Lagarto estão de volta, com elas, a mobilização das comunidades para manter acesa a chama de uma paixão que rompe gerações. É bem verdade que apesar das iniciativas que são tomadas para o fortalecimento da competição, a mesma não consegue ter   a empolgação dos anos iniciais, quando as praças esportivas eram tomadas pelos amantes do esporte.


Pelos idos de 1986 surgia o primeiro Campeonato Amador de Lagarto, criado pela LIGA. Mas, a história do amadorismo remete a década de 30 quando há registros das primeiras agremiações. Porém, foi a partir da metade do século XX que esse esporte ganhou um maior espaço, marcando decisivamente a sociedade lagartense.

Em meio a esse cenário, chega em Lagarto em 22 de abril de 1966, aos 23 anos, o baiano de Salvador e técnico em Laboratório, Marco Polo do Nascimento. Sua vinda foi idealizada pelo Dr. Carlos Lima de Araújo. Ninguém podia imaginar que aquele jovem que desembarcava em frente ao mercado da farinha mudaria os rumos do futebol em Lagarto.

Transcorridos alguns meses, o nome de Marco Polo ganhava notoriedade por seu profissionalismo e por sua maneira acolhedora com o próximo, construindo facilmente um leque de amigos na cidade ternura. Essas amizades o levaram a ganhar espaço no meio esportivo. Logo, surgiria o convite do saudoso Arnóbio Silva para que ele assumisse o comando administrativo do então Lagarto Esporte Clube. Assim, em 1967 Marco começava a trilhar uma história de conquistas em terras lagartenses.


No referido ano, a equipe papa jaca ainda era amadora, nas palavras de Marco Polo: “não havia mais adversário à altura”, a maior prova dessa afirmativa, foi tricampeonato da região Centro-Sul (63,64 e 65), e o tricampeonato Estadual (64,65 e 66). Logo, surgiu o sonho de ver a equipe se tornando profissional, a ideia ganhou corpo e cores e foi concretizada em 1967. Além da profissionalização, o Lagarto Esporte Clube ganhou novas cores, do amarelo e preto, passou a ser o Verde e Branco. Polo se tornou presidente da equipe, tendo como Vice-presidente o senhor Rosendo Ribeiro Filho.

É necessário salientar a importância do saudoso Edinho do Cinema que sempre contribuiu com as despesas da equipe, afirma Marco Polo.  Em 1970 Marcos deixou a cidade e foi residir em Propriá para cuidar de seus negócios. Na cidade ribeirinha, também se tornou Diretor e Auxiliar na equipe local. De volta a Lagarto, se tornou em 1973 diretor esportivo dos esmeraldinos, traçando sua dinâmica e fervilhante história de amor por essas terras.


Sua contribuição não foi apenas no engrandecimento do Lagarto Esporte Clube, muitas foram as equipes que receberam sua atenção. O futebol amador de maneira geral sentiu de perto sua paixão irradiada por diversas agremiações. Uma das equipes que merece destaque foi o Internacional de Zé de Chiquito, a maior prova foi a aquisição do espaço conhecido como “Chiquitão”, campo onde o Colorado mandava suas partidas.

Outras agremiações que constataram o afetuoso fascínio de Marco para o esporte foram: o Cruzeiro do Bairro Ademar de Carvalho, o qual mandava seus jogos onde hoje situa-se o Tiro de Guerra. O Palmeiras campeão lagartense em 1973, uma equipe formada por grandes atletas do cenário esportivo local, destaque para o guarda vala Borrachinha, que para Marco: “foi o melhor goleiro que viu atuar no esporte amador da cidade, com Borrachinha no jogo, o 0 a 0 estava garantido”.

Juventus, Palmeiras do povoado Pratas e a equipe da Cooperativa da Colônia Treze, também contemplaram o esmero e a dedicação desse desportista aclamado e respeitado por todos os abnegados e amantes do esporte. Sua passagem pelo futebol amador e seu afã por aventuras, foram as ferramentas certas para descortinarem o ostracismo o qual imperava em nossos campos de várzea.


No entanto, não foram apenas os gramados que passaram pelo seu crivo. Os amantes da bola pesada também foram encantados com a dinâmica inigualável deste “caçador de relíquias”. Entre as equipes que vivenciaram seu trabalho é necessário destacar o Águia Negra e o Internacional, o segundo tinha como presidente Tonho de Bazinho. Suas andanças pelas quadras o fizeram, presidente da Liga de Salão, em um tempo áureo do salonismo lagartense.

Após algumas temporadas nestes torrões, vivenciando angústias e alegrias, Marco Polo deixou órfã essa cidade, indo residir na vizinha Estância. É perceptível em suas falas a saudade dos amigos que por aqui deixou e dos espetáculos futebolísticos que em outrora marcou a ainda pacata Lagarto. Ao recorrer a memória, Polo revive momentos inesquecíveis permeados de emoção e nostalgia. Ele não esconde a vontade de em breve retornar a essas terras, descansar em meio a afetuosidade do povo que lhe acolheu e que o viu sair da condição de coadjuvante a protagonista nesse enredo esportivo.


Hoje, enquanto lagartenses, precisamos render nossas homenagens a esse jovem senhor que colaborou para reinventar o nosso esporte. Marco Polo ao tempo em que se debruçou sobre essa efervescente prática popular, permitiu um âmbito familiar nas jornadas esportivas, venceu as incertezas e transformou em realidade o que para muitos era utopia.


Seu nome não pode e não deve ser esquecido, pois seu legado estará para sempre cravado na memória daqueles que direta ou indiretamente se preocupam com o esporte e o lazer. Negligenciar o seu nome, é apagar a luta de um homem que dedicou sua vida em prol de nossa “Pátria de Chuteiras” (Lagarto). Polo pensou além do seu tempo, mergulhou nas profundezas dessa paixão desenfreada, entrou literalmente em campo e ofereceu o seu exemplo esportivo aqueles que desejarem se aventurar nesta seara sem rendimentos financeiros e muita das vezes sem os devidos reconhecimentos. Sua luta deve ser relembrada, sua trajetória reescrita, oferecendo facetas de um tempo que não volta mais e um sopro de esperança para os jovens desportistas que não viveram as memoráveis tardes de domingo.



2 comentários:

Unknown disse...

Merecido reconhecimento!

maria martins disse...

Merecido reconhecimento!